Vítima

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Pintura de Michael Sowa

Quando nós pensamos na sociedade em que vivemos, nos lugares aonde vamos e as mudanças a cada ano, é perceptível que sempre buscamos ganhar espaço de alguma maneira. Quando você chega a um lugar novo sem amigos, você também não sabe como se encaixar em alguma coisa. Como criamos espaço? Existem muitos caminhos para isso, como por exemplo, pelas nossas habilidades. Mas só as habilidades não garantem muita coisa, pois existem mais pessoas que sabem fazer o mesmo que você, te deixando menos “único” do que você pensava ser. Até porque a cada habilidade sua que você descobre pelo menos 53 chineses que sabem fazer isso melhor do que você. Mas ainda existem outros caminhos. É claro que o politicamente correto não nos permite achar nosso lugar no espaço através da exaltação do defeito alheio a fim de deixar a nossa qualidade melhor. Mas a maneira mais comum, talvez, para todos de conquistar espaço é quando nos tornamos vítimas de alguma coisa. Nós nos fazemos de vítima constantemente. “Ah, eu nasci de uma família que não me deu atenção”, “Quando eu tinha 5 anos meus pais se separaram”; e aí começa aquela história de vida e um monte de coisa.  E nesse embalo de “vitimização”, nós tentamos garantir nosso espaço assim, pois é viável. Tipo gato abandonado, que todo mundo fica com dó e quer fazer carinho.

“Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” 2 Coríntios 10:5

Paulo fala algo muito interessante sobre o nosso pensamento. Algumas vezes nós criamos uma dinâmica no nosso pensamento da qual nós somos vítimas. Como se não tivéssemos escolha. Por que eu estou falando do pensamento? Porque além de querer que as pessoas sintam dó de nós, também entramos em uma de sentir dó de nós mesmos. Por exemplo, “ah hoje eu não quero falar com ninguém porque estou de mau humor”. E o que é que o mundo tem a ver com isso? E por que o mundo tem que se compadecer de você e não pode lhe dirigir a palavra porque você está de mau humor? Como se mau humor fosse um decreto dado no cosmos que faz com que você obrigatoriamente te faça ficar de mau humor! Mas deixa eu te dizer uma coisa que você pode até discordar: quando você está de mau humor, isso é escolha. Todo o pensamento nutrido é escolha.

A ideia, o insight pode ser trazido até você, mas nutrir isso é uma escolha. Você pode passar por algo completamente ruim. A ação e a circunstância não dependem da sua escolha, mas manter-se assim é uma escolha. O que Paulo diz é que quando vem um pensamento que te faz ser vítima, que te escraviza, você trava uma luta em que um é levado ao cativeiro. Quando vem um pensamento dizendo que você é a pobre menina, a gata borralheira, e essa “frescurada” toda, você não precisa deixar o pensamento te escravizar, você que tem que levar ele cativo a Jesus Cristo. É você que tem que ter a escolha de dizer que este pensamento não pode te dominar. Eu sou quem pega esse pensamento e leva cativo a Cristo, leva a soberania de Cristo. E na soberania de Cristo quem eu sou? Não sou vítima, mas imagem e semelhança de Deus. Deturpada sim pelo pecado, mas passível de resgate pela graça de Cristo. Somos vítima até ser contra, mas não precisamos andar de cabeça baixa, falando que o mundo fica conspirando contra você – até porque é bem provável que nem a metade do mundo saiba que você existe.

Meu pensamento de mal eu levo a Cristo. Não é o pensamento que me domina, mas Cristo.

(Tiago Rodrigues, UNASP)

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